O perigo das lagartixas para o seu gato

 PLATINOSOMOSE

gatoselagartixas01

A Platinosomose é uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres, causada por um trematódeo da espécie Platynosomum sp, este é considerado o parasita hepático mais importante dos gatos domésticos.

Este trematódeo geralmente habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato, mas pode ser encontrado no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.

O parasita é encontrado em áreas tropicais e subtropicais. O ciclo de vida é dependente de invertebrados como moluscos (caracóis), insetos terrestres (besouros) e lagartixas ou sapos, que estes são os últimos hospedeiros antes dos felinos. O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros, das formas encistadas surgem as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares.
O parasito adulto tem um tamanho que varia de 2,9 a 6,7 milímetros (mm) no comprimento, e 0,9 a 1,7 mm na largura, têm formato achatado e de folha.

Sintomas 

Vários sinais clínicos podem ser encontrados associados aos gatos parasitados, dependendo da gravidade da infecção, porém alguns gatos permanecem assintomáticos.

Os sinais clínicos serão proporcionais ao grau de infestação, geralmente há:
diarreia com muco
perda do apetite
perda de peso
vômitos.
Se houver colestase ( redução do fluxo biliar) poderá ser percebida à icterícia (olhos e gengivas amarelados), hepatomegalia (fígado aumentado), anemia, ascite (líquido na cavidade abdominal) e aumento palpável da vesícula biliar.

Gatos caseiros diagnosticados com platinosomíase geralmente têm mais de dois anos de idade e com histórico de se alimentar com lagartixas.

A consequência do parasitismo intenso é a colestase e o desenvolvimento de um processo inflamatório hepático, o que pode causar uma colangite e até mesmo uma fibrose, em quadros crônicos. Há relatos de associação de colangiocarcinoma com o parasitismo por Platynosomum, o que pode ser uma das causas desta neoplasia.

A patologia da platinosomose inclui colangiohepatite, fibrose biliar, cirrose e obstrução biliar. A patogênese envolve o tamanho e o número de parasitos.

A patogênese da icterícia observada em gatos altamente infestados não é inteiramente clara, mas ao menos dois mecanismos são possíveis. Fibrose constritiva foi observada no ducto biliar comum e isso possivelmente impeça o fluxo da bile para o duodeno. Além disso, grande número de trematódeos presentes no sistema biliar provavelmente esteja impedindo a circulação biliar a despeito de coloangiectasia. Os dois fatores agem juntos ou separadamente, e produzem algum grau de icterícia.

Diagnóstico

Em virtude da ausência de sinais clínicos específicos as técnicas diagnosticas em gatos com platinosomíase são particularmente importante na epidemiologia desta parasitose. O diagnóstico definitivo é feito pela detecção de ovos operculados nas fezes, presumindo que os parasitas não obstruíram por completo o trato biliar. A análise das fezes através do método de sedimentação com formalina-éter

Uma recomendação nos casos de suspeita de platinosomíase á a utilização de um colagogo (algum tipo de óleo, milho, oliva…)para aumentar o número de ovos nas fezes, pois há eliminação diária dos ovos dos parasitas. O colagogo utilizado pode ser o óleo de milho (2mL/Kg/VO).
Em alguns casos de parasitismo o diagnóstico positivo não pode ser feito no exame de fezes, então achados hematológicos e bioquímicos devem ser avaliados. As alterações hematológicas são sugestivas da doença de gatos por parasita, mas não são patognomônicas. O parasitismo biliar induz a eosinofilia circulante, começando três semanas após a infecção.
*Um aumento de 10% a 20% nos valores de ALT e AST podem ser observados nos primeiros quatro ou cinco meses do parasitismo. A FA não esta frequentemente afetada e os valores continuam normais mesmo quando o animal apresenta hepatomegalia e ictérica. A bilirrubina geralmente acompanha a icterícia

No ultrassom pode ser observada dilatação de ductos biliares, dilatação vesicular e hepatomegalia.

Quase sempre a laparotomia é necessária nestes casos. Podendo-se ser diagnóstica e até terapêutica. Recomenda-se a retirada de amostras da bile, para citologia e cultura bacteriana. Podendo-se observar as alterações hepáticas macroscópicas e a coleta de fragmentos para a biópsia. Um procedimento cirúrgico pode ser realizado para restaurar o fluxo biliar para o intestino, trata-se da colecistoduodenostomia, a anastomose da parede vesicular com o duodeno.

Na necropsia devem ser observadas as alterações macroscópicas existentes em todos os órgãos, além de colher uma amostra de bile da vesícula biliar para evidenciar a presença de ovos do parasita. Na análise macroscópica do fígado, devem ser observados o tamanho, a consistência e a coloração, posteriormente colher uma amostra hepática para estudo histopatológico.

Tratamento

O tratamento é basicamente o cesticida praziquantel por três a cinco dias. O sucesso dependerá do tempo e grau de infestação, e principalmente do grau de injúria sofrido pelo fígado. Em quadros de colangites é recomendado o tratamento com corticóides. O suporte deve ser feito com protetores hepáticos, fluidoterapia e alimentação enteral.

A platinosomose deve ser sempre incluída no diagnóstico diferencial de icterícia em gatos, principalmente em regiões de climas tropicais, e em animais de vida semi-livre,que possuem o hábito de caçar lagartixas e insetos,estes sendo sérios candidatos a albergarem e disseminarem o parasita.
(Fonte deste artigo:http://medicinafelinos.blogspot.com.br/2012/02/platinosomose.html)

 

 

Add Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com