DERMATITE PIOTRAUMÁTICA

DERMATITE PIOTRAUMÁTICA
DERMATITE PIOTRAUMÁTICA

            É uma infeção cutânea superficial provocada por bactérias, muito pruriginosa, de aparecimento repentino, que rapidamente alastra perifericamente. Pode aparecer em qualquer região do corpo.

            A área afetada tem limites bem definidos, mostra-se úmida, brilhante, eritematosa (vermelha como que em carne viva), coberta por pus ou por uma crosta muito aderente. Além de pruriginosa é também dolorosa. O cão coça compulsivamente com a língua ou com as patas, agravando a lesão e facilitando a sua progressão. Caso permaneça sem tratamento, a lesão inicial pode alastrar atingindo extensas regiões do corpo.

 

Causas

           Qualquer condição que altere o ecossistema local da pele, pode produzir uma zona quente (Hot spot), facilitando assim a invasão e proliferação de bactérias patogênicas (prejudiciais). A principal bactéria envolvida na DP é o Staphylococcus intermedius.

A pele defende-se dos microrganismos prejudiciais através de barreiras físicas, químicas e pela presença de uma flora bacteriana residente.

  • A barreira física é constituída por pelo, gordura superficial e estrato córneo (camada mais superficial da epiderme), que em conjunto atuam como que uma porta que impede a entrada das bactérias.
  • A barreira química é constituída por anticorpos, ácidos graxos e íons inorgânicos (minerais), que dificultam a colonização da pele por bactérias prejudiciais transitórias.
  • A flora bacteriana residente na pele depende: da umidade, do pH, dos ácidos graxos e dos íons inorgânicos, estabelecendo nichos ecológicos adaptados às condições locais.

            A população bacteriana normal, vive em equilíbrio com o animal, impedindo a contaminação da pele por bactérias patogênicas, através da utilização dos nutrientes disponíveis e pela produção de substâncias prejudiciais para os agentes patogênicos invasores. Assim, qualquer agressão química, física ou traumática, que danifique uma das três barreiras protetoras irá alterar o equilíbrio do ecossistema cutâneo e permitindo a invasão e colonização por bactérias patogênicas, tais como o Staphylococcus intermedius.

           Uma dor ou uma picada de inseto, poderão por si só, chamar a atenção do animal, que ao lamber ou coçar a região, irá modificar esse equilíbrio cutâneo local e favorecer o aparecimento da Dermatite Piotraumática.

 

Raças mais afetadas

            Apesar de afetar todas as raças de cães, surge com maior incidência em cães de pelagens densas e/ou extensas, como: Labrador Retriever, Golden Retriever, Chow-Chow, Terranova, São Bernardo, Pastor Alemão e Rottweiler.

 

Diagnóstico

           Normalmente, a história clínica e a observação das características da lesão são suficientes, para o diagnóstico. Algumas doenças de pele podem clinicamente ser semelhantes à Dermatite Piotraumática (ex: Foliculite Superficial, Piodermite Superficial), outras vezes, existem doenças sistêmicas que se repercutem na pele originando lesões semelhantes e recorrentes (ex: Hipotiroidismo). Por isso, caso exista persistência das lesões, após uma primeira abordagem terapêutica, poderá ser necessário fazer exames de diagnóstico complementares (ex: teste de sensibilidade aos antibióticos, biopsia, exames hormonais), para descartar alguma outra doença subjacente ou resistência antibiótica.

 

Tratamento

           O tratamento é feito à base de Antibióticos orais e/ou locais. Anti-inflamatório que ajudam a controlar o prurido e a inflamação cutânea. Corte do pelo na região da lesão e sua periferia, para facilitar o tratamento local. Limpeza da lesão, para remover crostas e secreções, que promovem o ambiente ideal para a multiplicação das bactérias. O uso de colar elisabetano (cone) é geralmente necessário, para que o animal não agrave a lesão por auto traumatismo (lambendo ou coçando).

 

Prevenção

           Como o aparecimento da Dermatite Piotraumática implica na quebra de alguma barreira protetora da pele e alteração do seu micro ambiente, a preservação da saúde da pele do cão é a melhor maneira de prevenir a doença.

  • Não exagerar na frequência de banhos, as gorduras superficiais e ácidos graxos cutâneos protetores são removidos da pele durante o banho e demoram mais ou menos 20 dias para renovar, logo, banhos frequentes vão deixar a pele sem esta proteção.
  • Sempre que der banho, seque muito bem, pois a umidade favorece o aparecimento da Dermatite Piotraumática.
  • Escovar o pelo com frequência (idealmente uma vez por dia). A escovação estimula a circulação sanguínea cutânea facilitando o aporte de nutrientes à pele, remove detritos e células mortas e permite o arejamento da pele evitando umidade e prurido.
  • A alimentação com ração de boa qualidade (rações super premium são as únicas que nutrem pele e pelos porque possuem mais de 90% de absorção), além de favorecer a saúde geral, fornece nutrientes e ácidos graxos essenciais para uma pele saudável e resistente às agressões externas.
  • O controle regular de pulgas e carrapatos no cão e no ambiente evita a quebra da barreira física protetora da pele do seu cão.
  • Tratamentos longos e muito desconfortáveis para o dono e para o cão, podem ser necessários, caso a Dermatite Piotraumática não seja precocemente diagnosticada e corretamente tratada.

Fontes: Wilkinson, T. George e Harvey, G. Richard; Atlas en color de dermatologia de pequenos animals; Mosby; 2ª edição; Espanha; Madrid; 1996

 

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