Cientista busca criar contraceptivo para cães e gatos para evitar cirurgia

28 de janeiro de 2015

Pesquisador de Harvard  recebeu  um financiamento de US$ 700 mil de uma organização não-governamental para trabalhar no projeto.

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Mooney esclarece que o princípio da contracepção em animais é bastante similar ao dos humanos (Foto: David Mooney/Arquivo Pessoal)

Um cientista da Universidade Harvard que tem se dedicado ao desenvolvimento de uma vacina que visa prevenir o surgimento de câncer resolveu ampliar sua área de atuação. A partir de agora, vai buscar uma vacina capaz de funcionar como método contraceptivo permanente para cães e gatos. A ideia é que a estratégia possa substituir a cirurgia de castração, muito cara e invasiva.

O bioengenheiro e professor da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas e membro do Instituto Wyss de Engenharia Inspirada pela Biologia da Universidade Harvard, David Mooney, acaba de receber um financiamento de US$ 700 mil de uma organização não-governamental para trabalhar no projeto.

“Eu tenho cachorros e gostaria de ter uma alternativa à cirurgia para castrar os animais”, disse Mooney, em entrevista por e-mail. Mas, além de seu amor pelos bichos, o cientista tem uma outra motivação: o projeto também pode ajudá-lo no desenvolvimento da vacina contra câncer. “Também estamos interessados em explorar diferentes aplicações para nossas tecnologias de vacinas, e esta é uma aplicação muito interessante.”

Mas, se os anticoncepcionais para humanos começaram a se popularizar em forma de pílulas já na década de 1960, por que ainda não há contraceptivos caninos ou felinos? Mooney esclarece que o princípio da contracepção em animais é bastante similar ao dos humanos. O problema é que, no caso dos animais, é preferível adotar um contraceptivo permanente, em vez dos métodos temporários geralmente adotados pelos humanos.

“Seria muito difícil dar contraceptivos orais temporários para animais, e praticamente impossível para animais de rua. Por isso, a abordagem humana para contracepção poderia funcionar para os animais em uma perspectiva científica, mas não é prática”, diz Mooney. “Por essa razão, a cirurgia é usada em animais, mas ela é muito difícil e cara para se fazer em cães e gatos de rua. Uma contracepção permanente obtida a partir de uma vacina seria muito mais viável.”

A estratégia a ser adotada por Mooney e sua equipe envolve o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que regula a liberação de hormônios que controlam a reprodução, tanto em machos como em fêmeas. A ideia é usar a tecnologia das vacinas de imunoterapia – já em desenvolvimento contra o câncer – para estimular o sistema imunológico do animal a produzir anticorpos contra o GnRH, inibindo o processo reprodutivo.

Seu projeto para encontrar uma vacina contra o câncer ainda está em um estágio muito precoce, segundo ele. Mas o objetivo é estimular o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas e fazer o indivíduo desenvolver uma resistência contra elas.

Ele enfatiza que a tecnologia usada para os dois projetos é bem parecida. “Nos dois casos, precisamos carregar o antígeno e ativar um grande número de células imunes chamadas ‘células apresentadoras de antígeno’ para gerar uma resposta imunológica efetiva.”
Fonte: G1, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD. www.caesegatos.com.br

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