APROVADO PRODUTO VETERINÁRIO PARA TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE

APROVADO PRODUTO VETERINÁRIO PARA TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE
APROVADO PRODUTO VETERINÁRIO PARA TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE

        A aprovação do Milteforan™ representa um marco na medicina veterinária brasileira. Desde 2008 está em vigor uma Portaria Interministerial 1426, que proíbe o tratamento da leishmaniose com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O poder desta portaria foi muito discutido e contestado. Agora, com a aprovação, o Milteforan™ vai poder ser comercializado no Brasil. Este medicamento era, muitas vezes, importado de outros países de forma ilegal, por pessoas que não aceitavam sacrificar os seus cães, após diagnóstico positivo para leishmaniose.

           Na Europa, o tratamento da Leishmaniose é praticado há muito tempo, existem muitos protocolos de tratamento, onde são utilizados uma associação de medicamentos.

           O mais importante, quando abordamos o tratamento da Leishmaniose, é o comprometimento do proprietário e do profissional, pois o tratamento exige controle constante para o resto da vida.

A Leishmaniose

leishmaniose-canina

           A leishmaniose tem vários mitos, o maior deles é colocar os cães infectados como os grandes ou, muitas vezes, os únicos responsáveis pela disseminação da doença. O maior problema são as questões socioeconômicas mal resolvidas, desafios diários que o Brasil precisa vencer. 

            A leishmaniose é uma doença infecciosa, porém, não contagiosa, causada por parasitas do gênero Leishmania. Os parasitas vivem e se multiplicam no interior das células que fazem parte do sistema de defesa, chamadas macrófagos.

           Há dois tipos de leishmaniose: leishmaniose tegumentar ou cutânea e leishmaniose visceral ou calazar. A leishmaniose tegumentar caracteriza-se por feridas na pele que se localizam com maior frequência nas partes descobertas do corpo. Tardiamente, podem surgir feridas nas mucosas do nariz, da boca e da garganta. A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, pois acomete vários órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea. É uma doença de evolução longa, podendo durar alguns meses ou até ultrapassar o período de um ano.

Transmissão

           A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos (que se alimentam de sangue) conhecidos como flebótomos. Seus nomes variam de acordo com a localidade; os mais comuns são: mosquito-palha, tatuquira, birigui, cangalinha, asa branca, asa dura e palhinha. O mosquito-palha ou asa branca é mais encontrado em lugares úmidos, escuros, onde existem muitas plantas.

          É o inseto que transmite a doença de um animal para outro. É uma doença que afeta principalmente cães, mas também animais silvestres, gambá ou saruê, e urbanos como ratos, gatos e humanos (principalmente crianças com desnutrição, idosos imunossuprimidos e, atualmente, pessoas com AIDS).

          Não se pega leishmaniose de cães e outros animais, apenas pela picada do inseto que estiver infectado.

          O cão é apenas mais um hospedeiro da leishmaniose visceral. É também o mais estudado e injustiçado, já que mesmo que todos os cães do mundo deixassem de existir, a leishmaniose visceral continuaria a crescer, como inclusive ocorre nas cidades onde há matança indiscriminada de cães como “forma de combate à doença”.

Sintomas

           Os sintomas são variáveis. O cão pode apresentar emagrecimento, perda de pelos, gânglios inchados, fraqueza, feridas, crescimento exagerado das unhas, lesão de pele ulcerada, blefarite (inflamação das pálpebras) e anemia. Também há sintomas nos órgãos internos, como crescimento do fígado e outras alterações. Entretanto, esses sintomas são comuns em outras doenças bem menos graves; assim, se seu cão apresentar esses sintomas não quer dizer que o mesmo está com leishmaniose.

Diagnóstico

          O diagnóstico preciso só pode ser feito por um médico veterinário, que combinará exames de sangue com exames clínicos. O teste sorológico feito pelo governo como forma de triagem não deve ser encarado como diagnóstico e, portanto, não justifica a eutanásia dos animais. O diagnóstico é complexo e necessita de maior investigação.

Exames diagnósticos

           Existem resultados errados, chamados de falso positivo e falso negativo (ou seja, o cão saudável pode ser morto ou tratado indevidamente e o cão doente pode ficar sem tratamento). Esses exames não diferenciam a leishmaniose tegumentar da visceral.

           Os exames podem dar positivo caso o cão tenha outras doenças, como erlichiose, babesiose etc. Os melhores exames, no momento, para o diagnóstico da leishmaniose visceral em cães são a citologia de medula óssea e/ou linfonodos (chamada de “PAAF”) e a PCR de medula óssea. O exame de imunohistoquímica de pele é eficiente para acompanhar se há parasitas na pele. Ele pode ser aplicado a qualquer tecido, linfonodo, medula, fígado, baço, pele, entre outros, para aumentar a sensibilidade do teste principalmente naqueles assintomáticos ou com parasitemia baixa. O diagnóstico da leishmaniose é complexo e necessita de prova e contraprova.

Prevenção

           O verdadeiro transmissor da doença – o mosquito-palha – gosta de lugares com matéria orgânica, então sempre mantenha quintal e canis limpos e telados. Esse inseto é de hábito noturno, portanto coloque seus cães para dormir em lugares telados e use coleiras e/ou líquidos repelentes para ajudar na proteção.

           O efeito da coleira é repelente, justamente para evitar a picada do inseto; a coleira é uma importante arma contra a doença.

          Além disso, existe vacina para leishmaniose. Ela previne que mais de 90% dos cães se infectem com leishmania pela picada do inseto.

          Na verdade, a vacina contra a leishmaniose pode apresentar um efeito bloqueador de transmissão, capaz de interromper o ciclo epidemiológico, isto é, torna o animal não transmissor da doença.

          A vacina tem cobertura de mais de 90% – afirmam os especialistas – e não é possível confundir infectados com vacinados.

Tratamento

          No entanto, o que é preciso ter-se claro é que tanto os humanos como os animais infectados, mesmo tratados, serão portadores do parasita o restante de suas vidas e deverão ser mantidos sob rígido controle. Os cães deverão ter contínuo acompanhamento de médico veterinário, com a realização de exames laboratoriais periódicos, para verificar se o animal realmente mantém-se não infectante e saudável.

          Existem estudos já comprovados que mostram que um animal infectado em tratamento pode se tornar não transmissor da doença para o inseto (cura epidemiológica).

 Caso queira mais informações, escreva.

 

 

 

 

 

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