Aedes aegypti e os verdadeiros riscos para os pets

Aedes aegypti e os verdadeiros riscos para os pets
Aedes aegypti e os verdadeiros riscos para os pets

          As doenças transmitidas por mosquitos a seres humanos, animais silvestres e domésticos são de grande importância devido a grande quantidade destes vetores na natureza e também devido a sua mobilidade e eficiência de transmissão de patógenos.

           O aumento nos casos de doenças transmitidas por mosquitos tem sido atribuído às mudanças climáticas, mas outros fatores devem ser considerados,  como o crescimento populacional, fatores sócio econômicos, impactos gerados na natureza pela construção de cidades e áreas agrícolas e desenvolvimento de programas de saúde pública. 

          Dentre os mosquitos, o gênero Aedes é o de maior relevância, pois está presente em todos os continentes e possui cerca de 110 espécies, as quais o Aedes aegypti é o de maior importância na saúde pública, por transmitir doenças como a dengue, vírus da zika e febre chikungunya. Este mosquito é originário do Egito e hoje se encontra disperso em todo mundo. A presente epidemia de zika vírus e a preocupação com os casos de microcefalia associados a esta enfermidade demonstram que todo o esforço para o controle do vetor tem sido pouco eficaz. 

           O mosquito também é capaz de transmitir outras enfermidades como a febre amarela e a dirofilariose. A febre amarela foi erradicada do país em 1942, mas a dirofilariose é considerada uma doença emergente para animais e possivelmente negligenciada em humanos.  Com as atuais epidemias surge a dúvida sobre a possibilidade de animais de companhia também serem afetados por por doenças transmitidas por este mosquito. 

          Na América do Sul pesquisas apontam indícios de infecção por dengue e zika vírus em animais silvestres, como pequenos mamíferos e primatas não humanos. Entretanto, a presença desses agentes em animais de companhia não foi descrita. 

           A dirofilariose pode causar distúrbios pulmonares e cardiovasculares em cães, mas também pode causar infecções em humanos. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o mosquito Aedes aegypti é considerado o principal vetor da dirofilariose. No Brasil ainda não existe um consenso entre os pesquisadores sobre qual seria a principal espécie de mosquito envolvida na transmissão da doença. Estudos conduzidos no Rio de Janeiro e Alagoas, sugerem espécies diferentes para cada região. 

           Existem alguns fatores a serem considerados, quanto a transmissão da dirofilariose pelo Aedes aegypti. A ingestão de diferentes quantidade de larvas da dirofilariose pode levar o mosquito à morte, ou seja, ele possui uma menor capacidade de suportar infecção por microfilárias da dirofilariose, quando comparado a outras espécies. Outro fator importante é a predileção do mosquito por sangue humano, além disso o sangue humano trás mais benefícios ao mosquito que o sangue de animais, por ser mais energético. 

          O aumento no uso de microfilaricidas como a ivermectina tem sido um fator de proteção para os cães, mas o uso dos microfilaricidas não é comum em todas as regiões do Brasil, por este motivo está ocorrendo um aumento nos casos de dirofilariose em alguma regiões do país. 

         A leishmaniose é outra doença transmitida por mosquito, mas não há evidências de que o Aedes aegypti é capaz de transmitir esta doença no Brasil. A leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha. 

         Em gatos outra doença de grande preocupação é a micoplasmose ou anemia infecciosa felina, conhecida anteriormente como haemobartonela. Esta doença pode ser causada por três espécies de bactérias, que podem causar sintomas graves em felinos,  que podem levar a morte. O principal vetor desta doença são as pulgas. Acredita-se que em regiões com alta prevalência desta doença e livres de pulgas, o mosquito desempenhe um importante papel na transmissão dessas bactérias. 

          Embora o mosquito Aedes egypti seja responsável por transmitir doenças graves para os seres humanos como a dengue, zika e a febre chikungunya, até a presente data não há descrição de infecção ou doença causada por estes patógenos virais em animais de companhia. Com relação a dirofilariose, o mosquito Aedes aegypti parece possuir menor importância no seu ciclo epidemiológico, devido a sua baixa capacidade vetorial e pela predileção por sangue humano.

Fonte: Revista Clínica Veterinária novembro/dezembro 2016 

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